sábado, 27 de maio de 2017

TORCIDAS DO VASCO 1984: CONCURSO O ÍDOLO DO RIO

O Concurso O Ídolo do Rio, promovido pelo Jornal dos Sports, Roberto Dinamite foi o grande vencedor, com um apoio das Torcidas Organizadas do Vasco.
Em 2º Lugar ficou Alemão do Botafogo, em 3º lugar Paulo Vitor do Fluminense, em 4º lugar ficou Bebeto do Flamengo em 5º lugar Romerito do Fluminense.
Fonte: Jornal dos Sports 24 de Novembro, 05 de Dezembro de 1984 e 11 de Janeiro de 1985

Torcidas do Vasco Jornal dos Sports 1984

Torcidas do Vasco Jornal dos Sports 1984

Torcidas do Vasco Jornal dos Sports 1984

Torcidas do Vasco Jornal dos Sports 1984

Torcidas do Vasco Jornal dos Sports 1984

Torcidas do Vasco Jornal dos Sports 1985

Torcidas do Vasco Jornal dos Sports 1985

sexta-feira, 26 de maio de 2017

RENOVASCÃO 1982: HOMENAGEM A DULCE ROSALINA

Realizou-se sábado passado o Torneio Dulce Rosalina, disputado nas modalidades de Futevôlei, Peteca e Vôlei, em comemoração ao 7º Aniversário do Montenegro de Ipanema, Dulce Rosalina, a Chefe da Torcida Renovascão, do Vasco da Gama, recebeu do Dr Francisco Horta, uma placa alusiva ao evento.
Agradecemos a todos os atletas e dirigentes do Montenegro, pelo sucesso do Torneio, que mais uma vez, confirmou o prestígio da grande torcedora Dulce Rosalina e a força do timaço de Ipanema.
Fonte: Jornal dos Sports 11 de Maio de 1982

Renovascão Jornal dos Sports 1982

Dulce Rosalina foto acervo de Poncinho 1982

quinta-feira, 25 de maio de 2017

VASCACHAÇA 1975: FUNDAÇÃO

Meus amigos estamos pela primeira vez escrevendo para o nosso Bate Bola, para dizer da fundação da mais nova Torcida Vascaína. 
Estou me referindo a Vascachaça, que vai ser um tremendo estrondo. 
Esta Torcida é daqui do Engenho de Dentro e foi fundada por: Delmar, Renato, Capoeira, Alexandre, Cláudio Nô, Ricardo, Marcos Gordo, Paulo, Zequinha, Zeca Treca, Miltinho, Délio, Dayse, Elias, Milton Chiquinho, Wilson, Paulo Palavrada, Lilico, Ricardo Orelha, Samuel, Tatão, Claudionor, Jussara, Nádia e Cláudio. É isso ai, minha gente.
Esta Torcida vai botar pra quebrar, e dar muitas glórias ao nosso grande time. (10/07)
A Torcida Organizada Vascachaça da Rua Bento Gonçalves, Engenho de Dentro, comunica aos torcedores Vascaínos que estará organizando excursões em diversas cidades brasileiras por ocasião do Campeonato Nacional, a partir de agosto. 
Os interessados é só procurarem o Sr Delmar ou Cláudio Nô no Bar Napoleão. (19/07)
Claudionor, Delmar, Alexandre, Engenho de Dentro, Rio de Janeiro
Fonte: Jornal dos Sports 10 e 19 de Julho de 1975

Vascachaça Jornal dos Sports 1975

Vascachaça Jornal dos Sports 1975

quarta-feira, 24 de maio de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1999 A VOLTA DE ROMÁRIO

                                        “é com tristeza que eu recebo o notícia do Romário no Vasco”
                                                                                      Amâncio Cesar - TOV

1999                      A volta de Romário

Disputando o torneio Rio-São Paulo no início de 1999, o Vasco chega às finais contra o Santos. Na primeira partida na capital paulista, as câmeras focalizam um curioso torcedor vestido como o famoso mágico do programa do Fantástico da Rede Globo, o Mister M. Um personagem que fez sucesso ao desvendar os truques dos outros mágicos, sempre usando uma máscara e com uma roupa preta cobrindo todo o seu corpo. No decorrer da partida ela dá uma entrevista e acerta o placar de 3 a 1 para o Vasco.
No dia seguinte ele já era uma celebridade. Em tempos de BBB, 15 minutos de fama na TV transforma um simples anônimo num personagem conhecido, enfim, um novo símbolo nas arquibancadas. José Pedro dos Santos, o Mister M, usou graxa e liquid paper para compor seu personagem. “Com os diversos telefonemas anônimos, inclusive com ameaças de morte, ele agora só vai aos jogos escoltado pela Força Jovem”. Ao longo do ano, durante os jogos do Vasco sua imagem é buscada pelas câmeras. Em outros tempos com estádios lotados sua localização seria mais difícil, mas em jogos as 22 horas com transmissão pela TV, a imagem da massa do passado é substituída pelos personagens folclóricos fabricados pela TV. Aos poucos sua fama traz contatos com jogadores do clube e torcedores que lhe procuram para descobrir quem é o homem da máscara.  “Como parte do uniforme, Mister M utiliza uma camisa autografada por Amaral. Eu tenho um ótimo relacionamento com os jogadores. O Juninho é o meu rei, amigo especial, me deu a sua cesta de Natal e fez a felicidade das minhas 2 filhas”. Para José Pedro, a resposta mais gratificante vem das crianças. “Os torcedores mirins me pedem autógrafo, vivem me cercando. Eu acho o máximo”[1].
Fora do estádio, a torcida do Vasco que levou milhares de pessoas para São Paulo, teve muitos problemas, mas quem sofreu bastante foi Dulce Rosalina: “para a torcida carioca foi reservada apenas o portão 11 do Morumbi, o que aumentou o sofrimento de quem já havia enfrentado sete horas de viagem. E quem acabou sofrendo a fúria dos santistas foi Dulce Rosalina, da torcida Renovascão. Ela foi atingida na cabeça por uma pedrada contudo, felizmente, o ferimento não foi tão grave[2].
Numa pesquisa realizada pelo Jornal Lance/Ibope, entre as Torcidas Organizadas. A FJV foi considerada a Torcida mais violenta do Brasil. Também foram apresentados 5 quesitos: Arquibancada, Faixas/bandeiras, Organização, evolução e componentes ativos. A FJV foi melhor em 4 dos 5 quesitos. Resultado, a FJV foi eleita a melhor Torcida do Brasil. “A Maior Torcida Independente do Brasil, é como seus integrantes se referem à Força Jovem, que ao longo destas três décadas, montou uma invejável estrutura, além da Sede no Centro do Rio, têm em seu patrimônio, 130 bandeiras, 12 faixas e uma bateria completa com 150 instrumentos”, revela o Presidente Alexandre Cebola.
Apesar do inegável crescimento da torcida Força Jovem nos anos 1990, a década terminou com um racha que provocou a saída de muitas lideranças. A disputa pelo poder começou em 1998 e terminou em maio de 1999 com a fundação da Torcida Mancha Negra. Pior do que uma dissidência foi o que veio a seguir. Em várias partidas, as torcidas entravam em confronto aberto: “Antes da partida que o Vasco goleou o Madureira por 8 X 1, as Torcidas Organizadas Força Jovem e Mancha Negra do Vasco, brigaram nas arquibancadas, exigindo a presença do policiamento. A Mancha Negra é uma dissidência recente da FJV e seus integrantes queriam vingar a agressão da facção rival a José Pedro dos Santos, 29 anos, torcedor conhecido por Mister M[3].
Uma outra celebridade que começava a despontar era a estonteante Viviane Araújo, modelo que iniciava sua carreira pela TV, é apresentada como representante da torcida ao zagueiro Mauro Galvão. Os dois juntos posam para fotografias com a torcedora vestida com uma roupa da Força Jovem, numa tentativa de mudar a imagem da torcida. O jogador recebe beijos da “atriz, modelo e manequim Viviane Araujo, a nova Rainha da Torcida Força Jovem. Cena incomum em São Januário, cerca de 20 torcedores estenderam faixas por todo o Estádio e levaram Viviane a campo para ser coroada por Galvão.“Isto é melhor do que treinar”, brincou o zagueiro, posando ao lado da moça. “O Vasco vai ganhar de 3 X 0”, arriscou o palpite Viviane, mesmo sem muito conhecimento de causa[4].. Seu reinado durou de 1999 a 2002. Na apresentação no Maracanã contra o Flamengo, a Força faz uma grande festa no gramado do Maracanã.
A maior rivalidade no futebol carioca na década de 1990 continuou com Vasco e Flamengo. Durante este período por mais que medidas diferentes fossem tomadas, as brigas e confrontos permaneciam. A novidade era que também surgiam longe do estádio: “Acessos ao Maracanã, como as Rampas da UERJ e do Bellini, continuam a ser palco da violência dos torcedores. Passam-se os meses, muda-se o campeonato, mas os torcedores continuam os mesmos. E o Não a Violência tão pedidos por todos os jogadores de nada vale, pelo menos antes de a partida começar.Os Vascaínos continuam proibidos de chegar ao Maracanã pela Rampa de Bellini e os rubros negros não podem nem sonhar em entrar no Estádio pela Rampa da UERJ.Os integrantes da FJV, se localizam em pontos estratégicos para surpreender os flamenguistas. Um dos locais onde se instalam foi a Av. Brasil, perto do Viaduto de Bonsucesso, onde agrediram os torcedores rubro negros que desciam dos ônibus[5].
No final do ano o roubo de uma bandeira do Flamengo contou com a intermediação dos presidentes dos clubes para evitar um confronto de grandes proporções: “o Presidente do Flamengo Edmundo dos Santos Silva, chegou a temer pela segurança do público no clássico de domingo entre Vasco e Flamengo depois que a Torcida Jovem do Flamengo teve uma enorme bandeira roubada na madrugada de terça feira para quarta. Edmundo, que ligou para o Vice Presidente do Vasco Eurico Miranda, foi as rádios e apelou que o material fosse devolvido. Embora sem provas, integrantes da Jovem acusam a facção Vascaína Força Jovem de ter cometido o delito.No fim da tarde, a bandeira, que tem o formato da camisa do Flamengo, reapareceu nas proximidades da Sede da Torcida, na Cinelândia. Ricardo Magrinho, um dos diretores da Torcida Jovem, conta que a bandeira estava guardada numa casa alugada nas proximidades do Maracanã. O vigia teria permitido a entrada de um sujeito, que se disse membro da Torcida, e saiu com o material, além da bandeira, foram levados 50 bambus e instrumentos, que não foram resgatados”[6].
Enquanto as duas torcidas brigavam por toda a cidade, Romário se desentendia com a diretoria do Flamengo e faz um acordo com o Vasco. Sua volta ao clube no final de  1999 não teve a repercussão grandiosa na torcida vascaína que olhava aquela contratação com desconfiança. Romário, fez várias declarações de amor a torcida rubro-negra no período em que esteve no clube da Gávea entre 1995 e 1999. Sua chegada foi uma surpresa e não foram poucos os que não acreditavam mais em seu futebol: Para o ex Presidente da TOV Amâncio César, “é com tristeza que eu recebo a notícia do Romário no Vasco. E acredito que grande parte da Torcida também está triste. Ele desdenhou do Vasco e esqueceu que um dia poderia voltar. Ele precisou ser escorraçado do Flamengo para ter a consciência do que o Vasco é mais forte”. Já para o presidente da Mancha Negra, Fernando Leal, “o Romário tem que reconquistar os torcedores Vascaínos. Ele falou muita besteira”[7].
Para encerrar, vamos destacar duas músicas que eram cantadas pelos vascaínos contra os rubro-negros:

Força Jovem
uh terror do Rio!
Força Jovem
uh terror do Rio!

A Força é Rei, do Vasco
A Força do Vasco, Rei, Rei
A Força do Vasco, Rei, Rei
A Jovem não precisa nem dizer
A Raça não precisa nem falar
Chegando no Maraca a porrada, vai rolar...
A Força! Rei!
do Vasco! Rei!
A Força do Vasco! Rei! Rei! (bis)...

            No mesmo dia que o Vasco anunciava a volta de Romário, um jornal paulista lembrava dos 30 anos do gol 1000 de Pelé no Maracanã contra o Vasco. A reportagem entrevista Dulce Rosalina que conta a emoção de torcer contra e a favor do rei: “Consolo foi que o Rei disse que era Vasco de coração. Torcedora símbolo do Vasco de 65 anos,foi ao Maracanã há exatos 30 anos.(...) Dulce não resistiu ao encanto do maior jogador do mundo e aplaudiu o milésimo gol do Rei.“Não íamos brigar com o Pelé, porque ele já havia dito que era torcedor do Vasco de coração”, diz. “Claro que eu não queria o gol, mas depois comemorei” (...) Dulce afirma que toda a Torcida do Vasco reverenciou o craque após a cobrança.“Era aquela emoção por causa dos mil gols e nós batemos palmas.” Há 43 anos acompanhando os jogos do Vasco, em 1969 Dulce integrava a Torcida Organizada do Vasco (TOV), a mais antiga e festiva do Clube. (...) A partida tornou-se marcante para Dulce porque foi disputada quando ela passava por uma situação delicada. Um ano antes, a aposentada quase perdera o braço em um acidente automobilístico, a caminho de um jogo entre Vasco e Corinthians, em São Paulo.“Naquela ocasião, eu estava começando a ir ao Estádio novamente.”Para ela, o gol de Pelé, mesmo contra o seu time, foi o que a motivou a voltar a acompanhar jogos de futebol[8].
Na década de 1990, foi possível identificar 19 Torcidas Organizadas do Vasco: Força Jovem, Torcida Organizada do Vasco (TOV), Pequenos Vascaínos, Renovascão, Anarquia, Feminina Camisa 12, Força Independente, Mancha Negra, Resenvasco, Servasco, Tulipas Vascaínas, Vasboavista, Vascoração, Vasguaçu, Vaspirata, Vasqueire, Vasco Pita, Garra Cruzmaltina e Fanáticos.
O final dos anos 1990 também estimulou a produção editorial de livros sobre futebol. Os vascaínos poderiam ter uma coleção de livros que começava a aparecer com mais freqüência nestes anos. São obras sobre o clube, seus ídolos, sua história (a mais bonita de todas) e seus torcedores. Em 1999 destacaríamos o livro de Roberto Assaf e Clóvis Martins, sobre o Clássico dos Milhões, Vasco e Flamengo. Com uma extensa pesquisa sobre todos os jogos (total de 300) entre os dois clubes até 1999, apresentando várias estatísticas, as súmulas dos jogos e uma análise do contexto esportivo e social de 62 partidas. Também era lançada em 1999 a biografia do zagueiro Mauro Galvão, que chegou ao clube em 1997 já com mais de 30 anos e imediatamente virou ídolo absoluto quando defendeu nosso clube. Por fim, três torcedores vascaínos lançam uma obra escrita pelo olhar do quem sempre acompanhou o clube pelas arquibancadas e pelo ângulo emocionado dos fãs de futebol. Trata-se de Estórias de Vascaínos de Mauro Prais, Além deles, vale lembrar o livro oficial do clube lançado em 1998 em comemoração ao centenário.
 Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] Fonte: s.d. torcidasdovasco.blogspot.com
[2] Fonte: Jornal O Globo 04 de Março de 1999.
[3] Fonte: Jornal do Brasil 20 de Maio de 1999.
[4] Fonte: Jornal do Brasil 04 de Junho de 1999.
[5] Fonte: Jornal do Brasil 04 de Outubro de 1999.
[6] Fonte: Jornal do Brasil 30 de Novembro de 1999.
[7] Fonte: Jornal do Brasil 19 de Novembro de 1999.
[8] Fonte: Jornal Estado de São Paulo 19 de Novembro de 1999 .

Vasco Jornal O Globo 1999

Vasco Revista Placar 1999



terça-feira, 23 de maio de 2017

TORCIDA DO VASCO 1936: AFONSO SILVA, APELIDO POLAR

Ultrapassada a fase pioneira inaugurada pelo destemido Paradantas, o segundo nome a surgir na cena da Torcida Vascaína foi de Afonso Silva, apelido Polar. 
Assim denominado por causa de uma nova e badalada marca de sorvete por ele mesmo lançada no mercado carioca. Mulato sestroso, comunicativo, engraçado e respeitoso, Polar gostava de vestir-se no rigor da moda trajando terno completo de flanela importada ou, então, metido no mais puro e caro linho irlandês.
Bandas ou Charangas não existiam ainda. Em compensação, existia a presença, muito bem posta, do Líder na frente das Sociais brandinho sua bengala de junco, a semelhança do que acontecia nos jogos de rugby e baseball americano, que o cinema mostrava.
Era o tempo do “entra Vasco que o marido é sócio”, uma legenda gaiata que Polar soube substituir por outra: “Viva o Vasco, campeão de terra e mar!”
Nesse passo, Polar varou anos a fio percorrendo os Estádios e convidando o público a participar de seu entusiasmo.
Ele resistiu praticamente, até a época do grande e fascinante Concurso que Jornal dos Sports promoveu em 1936, com o objetivo de escolher o Embaixador da Torcida Brasileira na Copa do Mundo. Muito tentador, oferecia aos vencedores passagem de ida-e-volta a Paris, além de um cheque de 10 mil francos (dinheiro de virar a cabeça de qualquer um).
Inúmeros Chefes de Torcida, e pretendentes a isso, participaram do Concurso.
Na onda do Prêmio, todos eles gastaram o que tinham. E o Clube, ajudando. E os sócios gastando. 
E o homem da rua, de chapéu na mão, colaborando para engrossar a caixa de amparo dos candidatos. Um negócio realmente tão fantástico que só na primeira apuração foram recolhidos mais de 100 mil cupons de dezenas de urnas espalhadas pela cidade.
Perdendo a parada para Oswaldo Meneses, do Flamengo, que nem Chefe de Torcida jamais chegou a ser.
“Polar murchou o ímpeto de continuar na guerra.”
Teve o consolo de ver a filha, Leonor Silva, morena muito bonita, vencer o páreo das Embaixatrizes. Mas não foi, de qualquer maneira, o que animou a continuar de bastão em punho dirigindo a moçada Vascaína.
Fonte: Jornal dos Sports 06 de Maio de 1976

Torcida do Vasco Polar Jornal dos Sports 1976

Torcida do Vasco Polar Jornal dos Sports 1976

segunda-feira, 22 de maio de 2017

TULIPAS VASCAÍNAS 1990: VENHA PARA A TULIPAS

Vascaínos que não pertencem a nenhuma facção do Vasco da Gama, a Tulipas Vascaína está chegando com força total. Trata-se de uma nova facção que faz do esporte o seu lazer. 
Democracia, ambiente familiar, respeito, seriedade, com o lema Torça Sem Violência, são as propostas da Tulipas Vascaína, que vem com o objetivo de incentivar o Vasco em todos os esportes. 
Se for preciso faremos críticas, mas nunca com o objetivo de desmoralizar ou destruir algo, mas sempre uma crítica construtiva.
A Tulipas Vascaína surgiu em um bar, com um grupo de amigos dissidentes de outras facções Vascaínas e que em todos os jogos se reuniam para bater papo, jogar cartas e lógico, tomar uma cervejinha bem gelada. 
Agora esse grupo de amigos está mais unido do que nunca e chama você para fazer parte desse grupo e torcer juntos pelo Vascão.
Se você quiser participar dessa nova facção, basta procurar o Raul, Paulo de Castro, Almir, Chiquinho, Penha ou Sueli no Bar do Valdir (o primeiro da direita na rampa do metrô no Maracanã) ou no Bar dos Sócios no Vasco da Gama, com duas fotos.
César David, Maracanã Rio de Janeiro
Fonte: Jornal dos Sports 27 de Outubro de 1990

Tulipas Vascaínas Jornal dos Sports 1990

Tulipas Vascaína São Januário 1990

Tulipas Vascaína César David Jornal Folha do Esporte 1993

domingo, 21 de maio de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1998 CENTENÁRIO MONUMENTAL

                                           “Sou Vasco da Gama meu bem, Campeão de Terra e Mar”
                                                                 Musica da Unidos da Tijuca

1998                   Centenário Monumental

Coletividades esportivas criadas no final do século XIX, muitas agremiações estavam comemorando o centésimo aniversário nestes anos, mas com o fantasma do “azar” do centenário. Dos clubes brasileiros que comemoraram o seu centenário o Vasco é o único que pode se orgulhar em festejar com títulos. Primeiro veio com campeonato estadual e depois a conquista inédita da Taça Libertadores.
            A festa se prolongou durante todo o ano, inicialmente com o desfile da Escola de Samba Unidos da Tijuca com o enredo homenageando o centenário do clube em fevereiro. A ligação do clube com esta escola de samba já vinha estreita desde o final do ano de 1997 quando os torcedores comemoraram o título brasileiro na quadra da agremiação carnavalesca. Também a escolha da rainha das torcidas do Vasco de 1997 foi no mesmo local em dezembro.
            Nesta época as torcidas de São Paulo criaram suas escolas de samba, especialmente a Gaviões da Fiel e a Mancha Verde. Surgiu a idéia de fazerem o mesmo no Rio de Janeiro. No entanto, surgiu um boato que os banqueiros de bicho, que controlavam o carnaval, não deixariam criando uma série de impedimentos legais. Marcelo He-Man, presidente da torcida na época relembra o episódio: “sobre a tentativa de criar uma Escola de Samba da Força Jovem (...) até mantinham contato com a Unidos da Tijuca, que já tinham prontos vários esboços, que iam tentar desfilar na Av. Rio Branco (...) “Em 1996/97 tivemos essa idéia, de fazer uma Escola de Samba ligada ao Vasco. No início tinha uma galera que queria colocar o nome da Força Jovem (Unidos da Força Jovem). O problema que isso faria que pessoas mais conservadoras se aproximassem/participassem do Projeto. Concluímos que Unidos do Almirante seria mais interessante. O Mazinho, um antigo componente da FJV junto com Marcelo Bicudo, tinham uma forte ligação no mundo do samba, mas acabamos não tendo muito apoio do meio. Eu acho que existe um acordo velado entre as Escolas de não permitirem que aqui se transforme como é em São Paulo,  onde várias Torcidas tem Escolas de Samba e Blocos. Na época fizemos desenhos mas infelizmente não sei onde foram parar”[1].
            Enquanto no desfile na Marquês de Sapucaí, a torcida pode se manifestar livremente, nos estádios de futebol reinava a ditadura imposta pelo governo do estado e seu secretário de segurança pública, Nilton Cerqueira que impôs uma série de medidas para conter a violência mas de forma arbitrária e absolutista. Na ocasião se proibiu as faixas, os bambus e os instrumentos musicais. A justificativa: “o Comandante do Policiamento do Maracanã, o Major Coutinho, do 6º Batalhão da Polícia Militar (Andaraí) diz que a resolução de Cerqueira é fundamental para trazer de volta a torcida para os Estádios. “As faixas na arquibancada serviam para esconder drogas, bombas e fogos. Além disso, com as faixas, a PM não conseguia identificar os piores elementos com câmeras de vídeos. Eles se escondiam atrás delas”, disse. A resolução do General Cerqueira já estava valendo na final do Brasileiro de 1997, entre Vasco X Palmeiras, mas muita coisa entrou no Maracanã naquela ocasião. A festa sem cor é melhor do que os excessos de violência. A plástica do Maracanã é ver as arquibancadas lotadas. E isso só voltará a acontecer com a medida”, disse o Major, destacando que, mesmo com a proibição, ainda entram algumas bombas, mas que são fabricadas no Estádio”[2].
            Em abril de 1998, a seleção brasileira que se preparava para o Mundial da França, fazia uma partida amistosa com os argentinos no Maracanã  levando mais de 100 mil pessoas. Os vascaínos engrossaram o coro da torcida carioca que vaiaram impiedosamente o armador Raí. No segundo tempo a multidão enfurecida gritava: “Raí, pede pra sair”. Após o gol da Argentina começou a ecoar o “olééé” e a torcida chamar “timinho” e, naturalmente, “burro” para o técnico Zagalo. Melhor era os vascaínos continuarem de olho no Campeonato Estadual ...
            Em entrevista para o livro Heróis do Cimento, dedicado à memória dos torcedores cariocas, Amâncio César (TOV), relembra o campeonato carioca de 1998, quando o Vasco vence a competição apesar dos inúmeros boicotes promovidos pelos maiores rivais. Para César, este título conquistado no jogo contra o Bangu, em maio, teve um sabor especial: “Não adianta boicotar. Foi assim estes anos todos, mas nós somos grande, temos time, temos tradição (...) foi a vitória sobre o preconceito” (Mattos, 2007, p.165).
            Além dos clubes rivais, o clube vivia uma disputa interna. Preocupado com a oposição da Força Jovem e do MUV, Eurico mantêm os laços com algumas torcidas e garante a continuidade de eventos que lhe poderiam render apoios para a sua futura reeleição para deputado federal em outubro. Neste sentido que o clube patrocina em setembro o concurso da rainha da torcida do Vasco, a “Rainha do Centenário”, cedendo o ginásio de São Januário e colocando toda a infra-estrutura do clube para a organização do evento e sua publicação em um jornal: “O concurso, sob a coordenação de Iara Barros, Presidente do Jornal Cruzmaltino, foi um verdadeiro sucesso, ele contou com a participação dos Vices Presidentes do Clube, entre eles, o Dr Eurico Miranda, um dos patrocinadores do evento. Agradecemos a Comissão de Festa: Amâncio César, Edson Abran, David, Lurdes Maia, Lena e Paulinho, estão todos de parabéns pela organização do evento”[3], conclui a nota oficial.
            Antes da comemoração do centenário é realizado um encontro patrocinado por uma torcida de Seropédica que se chamou “o Primeiro Encontro de Torcidas Organizadas do Vasco”, com a presença de algumas Torcidas, entre elas Pequenos Vascaínos, representada pelos Diretores Zeca e Edson, Torcida Feminina Camisa 12, que estavam presentes Iara Barros, Sônia Soares e Bety Cardoso e a TOV, representada pelo o Diretor David”.
            Paralelamente o vereador Áureo Ameno faz uma homenagem ao centenário do Vasco presenteando com a medalha Pedro Ernesto a torcedora-símbolo do clube: Dulce Rosalina e o vice-presidente, Amadeu Pinto da Rocha. No evento esteve presente o ex-jogador Roberto Dinamite, candidato a reeleição a deputado estadual.
            O mês de agosto entraria para a história pela comemoração do centenário e pelo título da Libertadores conquistado no final do mês no Equador. Para o jogo contra o Barcelona de Guayaquil, dezenas de torcedores viajaram para acompanhar o clube. Um dos relatos é de uma torcedora da Força Jovem, Sueli de Araújo: “Eu estava num grupo de dos cerca de 100 torcedores do Vasco que viajaram de avião do Rio até Guayaquil no Equador. Foi realmente inesquecível. Saímos do avião e fomos num ônibus colorido até o hotel e de lá para o estádio. O problema que não havia espaço para a torcida adversária. Atravessamos um cordão de isolamento no meio do povo, sendo xingados de tudo até chegarmos a arquibancada. Ai a situação piorou, porque os meninos resolveram abrir caminho no braço em busca de lugar e houve uma briga generalizada. No meio da confusão a polícia retirou as mulheres para os camarotes que ficam em cima de onde estávamos. Depois os meninos também pularam para os outros camarotes, onde nós fomos muito bem recebido e pudemos assistir ao jogo comendo e bebendo de graça, um buffet que mais parecia uma ceia. Quando terminou o jogo com o Vasco Campeão, ficamos no Estádio, esperando a torcida do Barcelona de Guayaquil ir embora. Ai o Eurico nos convidou para seguir até o hotel e festejar com os jogadores. Nem é preciso dizer que naquela noite ninguém dormiu. Voltamos no mesmo avião que tinha um escudo do Vasco desenhado na porta. Quando estávamos chegando no Rio, vi que lá de cima uma multidão de torcedores estava preste a invadir a pista do Galeão pra comemorar. Nossa quanta emoção”[4]. De volta ao Rio de Janeiro, a massa faz uma grande festa, que se espalha pela cidade. Desde a chegada dos jogadores no aeroporto, passando pela uma imensa carreata até a chegada em São Januário.
            Com a estabilidade na economia e o sucesso do governo FHC que consegue sua reeleição em outubro[5], centenas de torcedores vascaínos compram passagens para Tóquio, a expectativa era que até 2.500 viajassem para acompanhar o clube que ajuda alguns torcedores: “o Vasco gastou cerca de R$ 500 mil em 50 passagens e algumas hospedagens para torcedores ilustres e Chefes de Torcida, só da Força Jovem são 20, e as agências de viagens estão na maior expectativa, calcula-se que 2.500 cruzmaltinos rumem para Tóquio[6].
            Na final contra o Real Madrid no Japão veio a decepção com a derrota para um adversário com um elenco milionário. Em campo o duelo ficou de igual para igual, com a equipe espanhola marcando o seu gol quase no final da partida, antes do Vasco perder uma chance clara de gol. Milhões de torcedores no Brasil acordaram cedo naquele dia  (horário de Brasília 8h) para acompanhar o time pela TV. Secando o clube vascaíno, os flamenguistas criaram (com apoio da imprensa) a Fla-Madrid.    
         Uma derrota sempre tem um sabor amargo mas o resultado final mostrou aos vascaínos que nosso time estava à altura dos melhores times do mundo. Não tínhamos do que nos envergonhar e voltamos para casa com a certeza de que o título poderia ter vindo para São Januário.  Bola pra frente e cabeça erguida.
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1]  Marcelo He-Men Mendonça, ex Presidente da FJV em 2014. Fonte: torcidasdovasco.com.blogspot
[2] Fonte: Jornal do Brasil 09 de Março de 1998
[3] Fonte: Jornal Cruzmaltino Setembro de 1998.
[4] Jornal Meu Vascão em 2008.
[5] Na mesma época Roberto é reeleito deputado estadual e Eurico é um dos mais votados no RJ, conseguindo 105 mil votos. Ambos apoiavam a reeleição de FHC, Apesar de partidos diferentes muitos “santinhos” foram distribuídos  com a dupla.
[6] Fonte: Jornal do Brasil 27 de Novembro de 1998.

Vasco São Januário 1998

Vasco Japão 1998


sábado, 20 de maio de 2017

FEMININA CAMISA 12 1973: 50 GAROTAS QUE VESTEM A CAMISA 12

O Vasco entra na guerrinha das Torcidas atacando de “Clube da Luluzinha”, menino não entra. 
São 50 garotas Vascaínas que se organizaram para estrear no Mário Filho, no jogo Vasco x Flamengo, a Torcida Feminina Camisa 12, disposta a provar que o delas pode ser também o Clube mais querido do Rio.
Ontem,na Redação do Jornal dos Sports, Iara Barros e Ana Cristina, organizadoras da primeira Torcida exclusivamente feminina de que se tem notícia no Rio, contaram como será a Camisa número 12. Das 50 integrantes, todas uniformizadas, 15 vestirão shorts brancos, as outras 35 usarão calças compridas, brancas ou pretas.
Todas levarão bandeiras, que já estão sendo feitas, em três modelos diferentes. E uma bandeira gigantesca, o tamanho, Iara diz ainda é segredo, tremulará, durante todo o jogo, no meio da nova Torcida.
“Nós não temos charanga, nem bateria. Mas vamos levar ao Estádio um instrumento que nós inventamos, de madeira, e que lá ganhou o nome de castanhola.
Todos nós batendo ao mesmo tempo, vai fazer um barulho danado.
Com o bandeirão e suas bandeirinhas, as 50 Vascaínas da Feminina Camisa 12 pretendem entrar em campo, antes do jogo, para prestar uma homenagem a Mário Travaglini, oferecendo-lhe um troféu, e outra aos jogadores do Flamengo, aos quais darão flâmulas numa manifestação de esportiva cordialidade entre as duas Torcidas.
As garotas pedem que o maior número possível de torcedores do Vasco compareça a sua concentração que começará as 12h30m, no dia do jogo, defronte ao Mário Filho, no Portão ao lado da Estrada de Ferro.
E, pretendendo provar que o Vasco pode muito bem disputar, para ganhar, o título de “O Clube Mais Querido”, Iara e Ana Cristina fazem um apelo a toda a Torcida Vascaína, para que participe, maciçamente, do Concurso que JS-Placar estão promovendo sob o patrocínio do Ponto Frio.
“Vocês, do Jornal dos Sports, criaram o Concurso das Torcidas entre Flamengo e Botafogo. Bem podia continuar, com a participação do Vasco e dos outros Clubes.
A ideia está lançada.
Fonte: Jornal dos Sports 26 de Abril de 1973

Feminina Camisa 12 Jornal dos Sports 1973

Feminina Camisa 12 Jornal dos Sports 1973

Feminina Camisa 12 Jornal dos Sports 1973

sexta-feira, 19 de maio de 2017

LEÕES VASCAÍNOS E TOV 1969: REVOLUÇÃO NA TORCIDA

O fogo da revolução lançado pela Torcida do Vasco foi tão violento que atingiu os seus próprios integrantes. Ontem em São Januário, a guerra já era mais contra o técnico, os dirigentes e os jogadores.
Era entre os próprios torcedores. Como a Dissidência agora virou moda também entre os torcedores, uma ala quer desligar-se da liderança de Dulce (TOV) para organizar seu próprio grupo.
O Líder do motim contra Dulce Rosalina é Abílio Valente, um nome muito sugestivo, segundo seus aliados.
O novo grupo já deve estrear amanhã e promete levar para o Estádio Mário Filho o slogan.
“Abílio Valente lidera Torcida Dissidente”, se Dulce não afastar os fala-fino que engrossam a Torcida Organizada, na opinião dos rebeldes. (16/05)

A GUERRA SURDA
A luta pela liderança da Torcida Organizada do Vasco prossegue dura, porém num clima leal. Abílio Valente, o Chefe rebelde da Torcida Dissidente, foi visitar ontem o Presidente Reinaldo Reis para hipotecar o seu apoio ao clube, e ouviu do Presidente palavras de incentivo e ao mesmo tempo de paz, pedindo inclusive sua união com Dulce Rosalina, Abílio aceitou, mas impôs uma condição:
“Só se a Dulce sumir com as bonecas, seu Presidente. Sou um gajo de respeito não quero, na rua, ser confundido.”
Quando Abílio saiu do gabinete do Presidente, encontro-se com Dulce. Os dois se olharam, mas nada falaram.
Depois, Dulce declarou que gostaria muito que Abílio deixasse de moda e engrossasse sua Torcida domingo, quando o Vasco tentará derrubar o líder:
“A hora é de união e não de brigas. A qualquer momento que ele resolver, seu lugar está garantido.” (22/05)

A VERGONHA
Abílio, um português de sotaque carregado, anda de briga com Dulce Rosalina, a quem acusa de admitir fala-finas na charanga da Torcida do Vasco. Ontem ele estava mais veemente do que nunca e gritava para todos ouvirem.
“A guerra vai continuar e eu estou criando a Torcida Dissidente (Leões Vascaínos). Só abro mão da briga se a Dulce espantar os fala-finas que a cercam.
Dulce, em contrapartida, entende que não tem que expulsar ninguém.
“O Abílio está jururu e sua Torcida Dissidente não vai vingar, não.”
Neste momento, Abílio passava em frente ao grupo chefiado por Dulce e foi identificado. Alguém gritou pra ele.
“Abílio, Abílio, vem para cá, meu bem.”
Abílio olhou rapidamente e identificou que o grito partia de um fala-fina. Quando virou o rosto, sentiu que a sua mulher também olhava para ver quem chamava o marido de meu bem.
“Não olha não, mulher. Não olha para não morrer de vergonha. São os fala-finas da Dulce.”
E saiu de cara amarrada, puxando a mulher no melhor estilo patrício. (26/05)
Fonte: Jornal dos Sports 16, 22 e 26 de Maio de 1969

Leões Vascaínos Jornal dos Sports 1969

Leões Vascaínos Jornal dos Sports 1969

Leões Vascaínos Jornal dos Sports 1969

quinta-feira, 18 de maio de 2017

PEQUENOS VASCAÍNOS 1992: TORCIDA COMPLETA 17 ANOS

A Torcida Organizada Pequenos Vascaínos ainda está em ritmo de festa pelos 17 anos de existência completados no dia 20 de Agosto. Fundada em 1975, com aproximadamente 150 componentes, a Pequenos Vascaínos hoje se envaidece de contar com seus mais de cinco mil componentes espalhados por todo o Brasil, Paraguai, Portugal, Espanha, França, Argentina e Estados Unidos.
A Torcida vem crescendo em número e em prestígio, sempre com a finalidade de torcer pelo Vasco, sem violência. Apesar do apogeu em que vive hoje. José Souza Barbosa, o Zeca, Presidente da Pequenos Vascaínos, lembra que as coisas na Torcida nem sempre foram um mar-de-rosas. Tanto que para persistirem no ideal de que “ a Torcida existe pela grandeza do Vasco”, tiveram que recorrer a patrocinadores. Mas, segundo ele, “valeu a pena.”
“Hoje temos uma Sala no Maracanã, a de nº 322-B, e que por sinal é uma das melhores cedidas pela Suderj, e outra em São Januário, que nos foi doada pelo Vasco, “ lembrou o Presidente.
A Pequenos Vascaínos é a Torcida do Vasco que mais tem modelos de camisa. Pode-se contar a camisa oficial (que é vendida para o sustento da facção) e cinco outros modelos que são fornecidas pelos inúmeros patrocinadores conseguidos pelo grupo.
Estes modelos são oferecidos gratuitamente a torcedores do Vasco e componentes da facção.
“Para conseguir equilibrar nossas contas, a cada três meses organizamos um grupo e fazemos um bingo na casa de um de nossos componentes”, disse.
A comemoração oficial do 17º Aniversário da Pequenos Vascaínos foi na segunda feira passada, na estréia do Vasco no Campeonato Estadual, quando jogou contra o Madureira, no Estádio Caio Martins. Na festa, dirigente e torcedores da facção receberam, além do padrinho da Torcida, Eraldo Leite, várias personalidades do mundo esportivo, bem como alguns jogadores do Vasco. Foi uma Festa tipicamente portuguesa.
“Além do Buffet regado a champanhe que oferecemos a Imprensa e aos associados, fizemos uma farta distribuição de bonés e camisetas aos nossos convidados”, revela Zeca.
Mas o que Zeca procura deixar claro é que a Torcida não pode se esquecer de agradecer aos patrocinadores. Como Vice-social da Torcida, Melquisedeque Clímaco de Oliveira, Zeca teve muito trabalho procurando empresários, e mostrando a eles todo o trabalho da equipe.
“Graças a Deus, hoje a ajuda vem de todos os lados. Com ela podemos nos dedicar com afinco a nossa grande paixão, o Vasco”, encerrou.
Contatos com a Torcida Pequenos Vascaínos poderá ser feitos na Rua da Inspiração, 729, Vila da Penha.
Fonte: Jornal dos Sports 06 de Setembro de 1992

Pequenos Vascaínos Jornal dos Sports 1992

Pequenos Vascaínos Jornal dos Sports 1992



quarta-feira, 17 de maio de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1997 O MELHOR JOGADOR DO MUNDO

                                                                                                      “Ahh, é Edmundo”
                                                                                                      grito da Torcida

1997                    O Melhor Jogador do Mundo

O jornalista Sérgio Cabral sempre foi muito conhecido pelas suas duas paixões: o samba e o futebol. Nas duas manifestações populares ele se tornou um estudioso com seus livros, pesquisas e contato com os principais atores do universo esportivo e carnavalesco. Enfim, Cabral acumulou um conhecimento que garantiu um prestígio muito forte nestas áreas.
 Identificado como “típico carioca”, generoso, bom papo, camarada, ele passou a angariar uma coleção infinita de amigos e admiradores. Por isso não foi surpresa que uma escola de samba fizesse uma homenagem escolhendo-o como figura central do enredo da Escola de Samba Em Cima da Hora, do bairro de Cavalcanti, no subúrbio carioca.
Nascido no mesmo bairro da escola, Cabral levou centenas de amigos para desfilarem para o enredo “Sérgio Cabral a Cara do Rio”, entre eles estavam centenas de torcedores vascaínos, muitos deles das torcidas organizadas, como a Força Jovem.
Passado o carnaval e enquanto o clube disputava o campeonato carioca, a torcida vascaína fez parte das gravações do videoclip da banda de rock mineira Skank[1], com uma música de grande sucesso: “É uma partida de futebol”.
A relação entre o rock e o futebol no Brasil não é tão intensa quanto o samba e a MPB construíram ao longo dos anos. Poucos roqueiros se aventuraram neste universo, até mesmo para os músicos demonstrarem suas paixões clubísticas. Por outro lado, entre os jogadores, são poucos os que declaram ter maior interesse por este estilo. Entretanto, independente de gostos específicos, a música e o clip tiveram grande repercussão graças a qualidade da letra melodia e da produção das imagens que contou com cenas das torcida no Mineirão e no Maracanã. No estádio carioca as imagens se concentraram na Força Jovem. A explicação para a escolha recair sobre a torcida vascaína pode estar ligada a relação entre os membros da banda e o DJ Maurício Valladares, vascaínos fanático.
            A Força Jovem tinha um novo presidente, Marcelo He-Man, uma antiga liderança que assumia a torcida em um momento difícil com o rompimento de relações com os dirigentes do clube e a perda da sala em São Januário. “Em 1997, assumi a Presidência, em um período que a torcida passava grandes dificuldades. Havia um esvaziamento, motivado, principalmente, por campanhas pífias do Vasco a nível nacional”, relembra o ex-presidente.     
            Entre as primeiras medidas inovadoras estava uma reestruturação do marketing da associação e a criação do primeiro site na internet, numa época em que a rede virtual dava seus primeiros passos no país.  
Outra mudança promovida foi a localização no estádio de São Januário: “convenci boa parte dos integrantes para irmos para embaixo da marquise já que existia as vantagens. Muitos queriam ir para lá, só que os mais tradicionalistas não. Existia ou foi colocada a pouco tempo no limite da marquise uma grade. Em um jogo pulamos a grade e deu uma grande confusão com a PM. Naquele jogo conversamos com o Vice de Patrimônio do Vasco e conseguimos convencê-lo a tirar a grade. A partir daí começamos a ficar lá. Por algum tempo ainda ficavam alguns componentes no local antigo”, afirma Marcelo He Man.
            Nem mesmo a derrota para o Botafogo nas finais do campeonato carioca, desanimou a torcida. Na Câmara dos Vereadores, Áureo Ameno, recém-eleito vereador com os votos de milhares de torcedores, presta uma homenagem ao clube, fazendo todos os presentes se emocionarem ao ouvirem os discursos dos políticos vascaínos presentes. Ameno, abriu a sessão proferindo várias partes da história do Vasco da Gama, logo em seguida deu a palavra ao ídolo do Vasco e Deputado Estadual Roberto Dinamite, que agradeceu por tudo que o Vasco fez pela sua vida, sendo aplaudido nas galeria da Câmara que recebeu a presença das torcidas organizadas, Tulipas Vascaínas, TOV, Renovascão, entre outras.
            Em novembro durante a eleição para a presidência do clube, novamente a chapa encabeçada por Calçada-Eurico saiu vencedora mas ocorre a mais renhida[2] disputa da década com a oposição formando o MUV (Movimento Unido Vascaíno), liderada por Arthur Sendas, Olavo Monteiro de Carvalho, Luso Soares e Fernandão. O candidato da oposição era Jorge Salgado, economista eleito 1º vice-presidente geral de Calçada em 1988 e ex-diretor de futebol da CBF. Entre as torcidas, a TOV apoiou a situação e a Força Jovem se alinhou com os opositores: “precisamos mudar a imagem do clube. Queremos um Vasco vencedor, mas fiscalizado. Chega de Eurico e Calçada. Acabou-se o que era doce. Agora é Salgado”[3], diz Marcelo He-Man, presidente da Força Jovem.
            Mas as melhores lembranças de 1997 vieram do campeonato brasileiro e com uma série de partidas emocionantes, com Edmundo comandando a festa. A cada semana a torcida promovia um espetáculo diferente e mais empolgante. Como nas semifinais contra o Flamengo quando o atacante vascaíno arrasou com o rival e chegou a marca de impressionantes 29 gols (recorde até então).
            Nesta época a antropóloga Rosana Teixeira acompanhava as torcidas cariocas como trabalho de pesquisa de campo para a pioneira dissertação de mestrado pela UFRJ, investigando o fenômeno das arquibancadas que passavam por um processo de criminalização da imprensa, especialmente após a tragédia em São Paulo 3m 1995. No entanto, a pesquisadora procurou não reforçar os estereótipos veiculados pela mídia, privilegiando um conhecimento mais amplo do tema, sem cair nos “chavões” da violência irracional. No seu trabalho a cientista social reforça as palavras do sociólogo Mauricio Murad (UERJ) que desde a fundação do Núcleo de Sociologia do Futebol em 1990, apontava para a necessidade de não associar torcida com violência, de forma mecânica e apressada.
            Acompanhando e dia-a-dia dos torcedores, freqüentando os estádios e fazendo entrevistas, Rosana pode conhecer melhor  o universo dos torcedores, especialmente as torcidas Força Jovem do Vasco e Torcida Jovem do Flamengo. Entre as várias conclusões ela destaca “que a compreensão da violência dos torcedores deve ser articulada a uma reflexão sobre as diferentes práticas de violência presentes em nossa sociedade” [4].
            A imagem negativa construída tinha efeitos reais. O melhor exemplo se deu na final do campeonato brasileiro disputado entre duas torcidas consideradas aliadas, mas que a reação policial foi tratar como um jogo de alto nível de risco de confusão. Na ocasião foram proibidos pela polícia diversos apetrechos das torcidas e a reação da imprensa diante da aliança das torcidas era de ironia e surpresa: “Imagine um estádio sem foguetes, bandeiras, nem gritos ofensivos ao adversário. Parece até culto religioso, mas teoricamente, este será o cenário da decisão de hoje no Morumbi, entre Palmeiras e Vasco. A proibição dos foguetes, instrumentos e bandeiras fica por conta da Polícia Paulista. Já os cânticos provocativos serão evitados por ambas as Torcidas, que nutrem uma antiga relação de amizade. Vamos festejar, sem gritos ou xingamentos. Acima de tudo está o respeito que temos por eles. Os palmeirenses vão nos receber com um churrasco”, diz Fernando Leal, Vice Presidente da Força Jovem. No Rio de Janeiro, o jornal carioca alertava para as proibições : “a Força Jovem não poderá levar para o Estádio a imensa bandeira que costuma desfraldar no Maracanã e em São Januário, em virtude de a polícia de São Paulo proibir bandeiras com escudos de Torcida Organizada. Para compensar levará cinco mil balões”[5].
            O que leva uma torcida se unir a outra? Como explicar a aliança entre uma torcida carioca com uma paulista, se o bairrismo entre os dois estados é um sentimento muito arraigado? Pode uma torcida trocar de amizade ou virar inimiga de uma torcida amiga? Estas questões permearam o universo de dúvidas que a imprensa lançou sobre os torcedores vascaínos e palmeirenses para explicar algo que parecia insólito.
            Como a decisão foi marcada para dois jogos, sendo o primeiro em São Paulo e o segundo para o Rio de Janeiro e, em ambas as cidades, havia demonstrações explícitas de cordialidade e esportividade, a imprensa buscava respostas. Em princípio buscou-se uma explicação histórica da aliança: “a união começou em 1979, quando 300 Vascaínos foram ao Maracanã apoiar o Palmeiras num jogo contra o Flamengo. Os Paulistas venceram por 4 X 1 e depois os Palmeirenses passaram a freqüentar São Januário sempre que vinham ao Rio”, recorda Amâncio César de 47 anos, membro da TOV, que tem 800 sócios, Amâncio repudia a união com a Mancha Verde.
No Maracanã não foi diferente a repressão desnecessária, com o registro incrédulo dos jornais que antes repudiavam as torcidas diante das inúmeras brigas e confrontos entre as torcidas de Vasco e Flamengo, agora a paz era louvada como um milagre: “Torcedores da Força Jovem do Vasco e da Mancha Verde do Palmeiras voltaram a se confraternizar ontem no Maracanã, momentos antes do início da decisão do Campeonato Brasileiro.Abraços, apertos de mão, beijos no rosto pareciam selar uma inusitada amizade entre os torcedores Vascaínos e Palmeirenses.Uma camaradagem explícita traduzida pelo bordão cantado pelas duas Torcidas, “Vascão, Verdão, Torcida de Irmão.”Vascaínos gritavam refrões contra a Raça Rubro Negra, Torcida Organizada do Flamengo, ajudados pelos Palmeirenses e faziam coro com os torcedores paulistas, quando eles gritavam bordões contra os Gaviões da Fiel (...) Antes de o jogo começar, os 1.2 mil policiais Militares que ocupavam os setores internos e externos praticamente não tiveram trabalho[6]. “Antes do jogo, Vascaínos e Palmeirenses davam provas explícitas de que são mesmos Torcidas irmãs, ainda que a colônia portuguesa em São Paulo esteja mais ligada a Lusa. Em frente a Estátua de Bellini, torcedores da Torcida Uniformizada do Palmeiras (TUP) e da Força Jovem improvisaram um concurso de trovas e gritos de guerra que tinham  invariavelmente o mesmo tema, os rivais Flamengo. A paz estava selada: Porco e Bacalhau era gritos que não tinham o menor tom pejorativo. Entre o Portão 19 e a Estátua de Bellini paulistas e cariocas uniam forças para acabar com o estoque de cerveja dos vendedores ambulantes “ [7].
Mesmo com todas as demonstrações das torcidas a atitude da polícia foi proibir e controlar os torcedores como pessoas “não-confiáveis”: “um busto gigante do Eddie foi criado para incrementar ainda mais as arquibancadas, mas a polícia impediu que ele entrasse no Maracanã, alegando que poderia ter problemas de segurança (...) As Torcidas do Vasco e do Palmeiras foram proibidas ontem de entrar com bandeiras com mastro de bambu no Maracanã. Em reunião com o comando do 6º Batalhão da Polícia Militar do Rio, representantes das duas Torcidas conseguiram a liberação de faixas e instrumentos musicais no Estádio, que também estavam na lista de proibições. Estão vetados também fogos e sinalizadores. As faixas poderão ser usadas desde que não atrapalhem o campo de visão das filmadoras que serão usadas pelos policiais para identificar causadores de tumultos.A Força Jovem já tinha confeccionado 80 bandeiras de 4 X 4 m, com mastros de bambu de 7 m de comprimento cada, segundo o seu Presidente, Marcelo He Man, 31 anos, além de outra de 40 X 60 m, também proibida[8].
       A conquista do tricampeonato brasileiro e a liderança de Edmundo comandando um ótimo elenco davam a torcida vascaína plena confiança de que no ano seguinte quando comemoraríamos o nosso centenário, novas conquistas fossem alcançadas.                           Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] Fonte: Jornal Folha de São Paulo 04 de Março de 1997.
[2] O resultado do pleito foi: Chapa "Azul" de Calçada : 1930 votos e Corrente "Oposição Unida": 1167 Fonte: http//www.wikipedia.com/antoniosoarescalçada.
[3] Fonte: Jornal do Brasil 02 e 09 de Novembro de 1997.
[4] TEIXEIRA, Rosana. Os perigos da paixão. Rio de Janeiro. Annablume, 2003, p.179.
[5] Fonte: Jornal do Comércio 14 de Dezembro de 1997.
[6] Fonte s.d.
[7] Fonte: Jornal do Brasil 22 de Dezembro de 1997.
[8] Fonte: Jornal Folha de São Paulo 19 e 20 de Dezembro de 1997

Vasco Maracanã 1997

Vasco Jornal do Brasil 1997